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sábado, 6 de agosto de 2016

[Divagando 2] POKEMON! Temos que pegar essa Hype...

Pokemon GO pra lá, Pokemon Go pra cá... Em todo lugar. Parece divertido, embora além de capturar bichinhos e a ideia das ligas/facções ou whatever, não sei o que dá pra fazer com o joguinho. Mas a ideia de sair pegando bichinhos em realidade aumentada no mundo para colecionar parece legal. Lembro-me na faculdade de ficar jogando The World Ends With You (PSP) me tinha uma feature que se deixasse conectado na internet, o jogo capturava itens "do nada". Levei uma vez o PSP pra pegar um ET O_O
Enfim, estaria jogando se meu celular pudesse usar o app, mas ele está mais ocupado com sua síndrome de lêmingue para-quedista.
Ou talvez nem tanto. Não vivemos em um mundo muito confortável para portáteis. Ou num país. Ainda tenho um PSPS e um DS a minha disposição e não fico jogando com eles na rua. Provavelmente não ficaria pegando Pokémon em lugares amplos demais.
Como todo hype, existem as pessoas levadas por ele, as pessoas que já eram fãs do produto (Com mais de uma DÉCADA de existência), as pessoas que se tornaram fãs, as pessoas que relembram a infância assistindo Ash na tv, enfim. Diversos tipos de pessoas se envolveram na febre. E, claro, as pessoas que criticam todas as pessoas acima.
Embora eu ache uma bobagem criticar hype (Vindo de mim particularmente que odeia hypes e não costuma segui-las), é bom que um assunto aparentemente tão mundano tenha despertado interesse de diversos segmentos.
Como diz um conhecido meu, "se o produto que eu gosto fica mais conhecido, para mim é melhor!". Com isso quer dizer que atrai mais investimentos, e mais chances de sair produtos baseados no que ele gosta. E isso é válido. Podemos usar isso para filmes, animações, jogos, etc.
Uma amiga minha, ponderando sobre isso, escreveu um texto sobre o assunto, ao qual reproduzo abaixo. Embora eu não possa discordar diretamente sobre impressões de uma pessoa, eu posso oferecer meu ponto de vista, minhas próprias impressões, acerca do tema.

Texto escrito por Silvana Machado "Maga Mya":

"Hoje fui na Liba. Precisava passar no banco e aproveitei pra comer um camarão frito. As pessoas estavam com as caras mais enfiadas no celular que o normal e bastava prestar um pouco de atenção pra pegar palavras como "pokébola", ou qualquer outra coisa relacionada ao assunto. As pessoas andavam ainda mais devagar, no meio dum mar de pessoas andando devagar, com as caras ainda mais enterradas nos celulares do que de costume. Às vezes a passagem era difícil, as pessoas bloqueavam o caminho sem se dar conta. Mil coisas poderiam acontecer ao redor, mas não acontecia nada. As pessoas só se esbarravam. 
Deixei meu celular em casa. Pensei que dar uma saída ia ser uma boa oportunidade pra dar uma olhada, tentar entender o apelo do jogo. Lembrei na porta, mas achei que não valia a pena subir de novo pra pegar o telefone. Me senti feliz e aliviada de não estar com ele. Me senti livre, como há um tempo não sentia.
Vejo pessoas dizendo que não saíam, filhos enfim interagindo com os pais, crianças que não conseguiam socializar e agora conseguem por causa dos Pokémons.
É uma febre. E, como toda febre, vai passar.
Os problemas pessoais não serão resolvidos. Não assim. As dificuldades sociais não são superadas assim.
Vejo mais uma muleta, como tantas outras. Acho mesmo que o argumento de que enfim saiu de casa por causa do Pokémon Go não depõe em favor.
Hora dessa sento com calma, disserto bem, escrevo tudo que tenho pensado a respeito disso. Escrevo da minha vida, também, das últimas coisas que foram acontecendo e o quanto esse tipo de comportamento pode ser nocivo e destrutivo. Hora dessas, com calma, vou partilhar minhas impressões.
Vejo um mundo cada vez mais frio e distópico. Vejo essas coisas serem normalizadas, aceitas como boas. 
Em tempos de Pokemon Go, o poeta em frente à banquinha não tinha mais espaço nem atenção. 
O normal de hoje é ser excluído, é não conseguir interagir com as pessoas. É querer se isolar. E, não aguentando o tranco de ficar sozinho, não suportando sequer saber quem se é, as pessoas se enfiam em outras vidas. Fingem, mimetizam uma realidade que só tem por propósito afastar as pessoas da verdade.
O mundo de mentira é mais fácil. Os bichos de mentira são mais fáceis.
Ontem à noite, em casa, estava olhando o tal do Pokémon Go e apareceu um Pidgeot no meu quarto. Meu gato estava do lado, ele apareceu na câmera e na tela do celular. Eu não troco mil Pidgeots pelo meu Fëanor.
Na minha rua, as crianças pobres jogavam bola. Eles riam e se divertiam, como fazem todos os sábados. Eles sim, pareciam felizes. Sem a cara amarrada e sisuda, sem o olhar vazio e triste das pessoas lá de cima.
Não, não estou atacando. Sequer estou censurando. Estou analisando, mesmo. Tentando entender o que acontece com essa geração.
Eu sei o que é depressão. Sei o que é olhar pra qualquer coisa e achar simplesmente sem graça. Sei o que é me enterrar num jogo e fingir que sou aquele personagem, mas isso nunca durou muito tempo. Sei que quando a fobia social aperta, não tem Pokémon esse que vá me tirar de casa. E vejo tudo isso como um sintoma muito forte do caminho que esta civilização tá se enterrando. Fico repassando aquela cena do Stalone na minha cabeça, mil vezes e mais mil vezes depois.
Fico triste. Triste, pois nunca foi este o futuro que quis pra mim. Fico triste, e choro com os olhos da criança do passado, ainda assustada de que o mundo poderia se transformar naquilo.
Me sinto mal e desesperançosa. Entendo tudo que diziam meus pais.
No fim, o que resta é uma grande sensação de vazio..
Bem-vindos à geração Second Life."


Concordo com a maior parte desse texto. Especialmente ao que tange a essa parte: "É uma febre. E, como toda febre, vai passar.
Os problemas pessoais não serão resolvidos. Não assim. As dificuldades sociais não são superadas assim.
Vejo mais uma muleta, como tantas outras. Acho mesmo que o argumento de que enfim saiu de casa por causa do Pokémon Go não depõe em favor." 
Existem diversas distrações que podemos usar no lugar de Pokemon Go: Bebida, mulheres (Bem que essa poderia ser a minha), jogos, leitura, futebol, drogas, enfim.
O que vejo é que se chove no molhado por algo que existe a milhares de anos: pessoas que possuem dificuldades e usam muletas para mitigar ou mesmo esquecê-las por um tempo. Nenhuma novidade aí. A questão é que cada uma dela traz benefícios e malefícios. E em excesso, como qualquer coisa, malefícios. E o vazio sempre permanece pois diversões com o propósito de serem "ópios" nunca irão preencher o vazio existencial de uma pessoa que a possua.

Acho que já somos naturalmente uma sociedade de isolados. Não se dá "bom dia" espontaneamente no trabalho, em casa, quiçá na rua. Pessoas quando não estão enterradas no celular (Antes do Pokemon Go ainda existe o WhatsApp), estão lendo um jornal no coletivo, apressados na rua, fones de ouvido ou enterrados nos próprios pensamentos mesmo. Realmente não vejo muita diferença no novo app. Talvez envolva mais pessoas que antes não tinham esses hábitos. Apenas aumenta a multidão de gente isolada.
ISSO eu acho uma pena. As pessoas têm medo da interação. Ninguém quer mais conhecer uns aos outros ou ao mundo ao seu redor. Eu até trago uma posição positiva nesse ponto sobre o Pokemon Go, pois as pessoas estão, ao meu ver, indo mais para parques e a rua. Antes elas só iriam para os shoppings.

As novas gerações trazem uma carga diferente da nossa de necessidades e anseios. Eu estou na faixa dos trinta, uma faixa que nunca me imaginei chegando quando estava na faixa dos vinte and so on. Hoje vejo bebês ou crianças de 3-4 anos aprendendo com tablet (Que é uma coisa bem intuitiva e nunca tinha considerado a possibilidade até ver com meus próprios olhos). Jovens de 9-10 anos já têm seu próprio celular. E todas já estão antenadas a esse(s) mundo(s) plural(is) onde vivemos.
Li por aí recentemente duas coisas que aludem a isso:
- "Não escrevemos para a geração atual". Acho que vi em um vídeo no youtube que criticava youtubers jovens atuais. E achei bastante pertinente.
- "Estamos virando nossos pais". Sem comentários com esse aqui. Sucinta boa parte da discussão.

Agora uma parte da discussão não presente no texto, mas que faz parte das manifestações acerca do hype: Uma coisa que nunca mudou desde quando joguei minha primeira partida de enduro no atari quando tinha 6 ou 7 anos, foi meu amor por jogos eletrônicos. É com o que eu gosto de conviver e trabalhar e, se tudo der certo, será meu ganha pão, seja como crítico ou como desenvolvedor (Quem sabe?).
Minha última ex não gostava de jogos e reclamava de alguns de meus post no facebook. Quem me conhece sabe que eu acredito que o FB só serve para ver memes e videos de gatinhos o dia inteiro. Há quem tente extrair uma coisa produtiva no meio de tanta porcaria legal (Tão porcaria quanto comer fast food, vamos deixar nessa analogia). Mas o principal é o pessoal "intelectualmente superior" que critica a galera categorizando o app como "coisa de criança". Sim, se eu ainda estivesse com a pessoa acima citava provavelmente eu ouviria algo do gênero. Como não estou mais com ela e não preciso mais segurar certos pensamentos (Na real não deveria, mas vamos deixar nesse pé para propósito do argumento), finalmente posso dizer que (Algo que li hoje):
"Assistir desenhos, comprar figuras, gostar de super heróis, caçar Pokémon NÃO TE FAZ UMA PESSOA IMATURA".
Não consigo ressaltar isso o suficiente. Sério.
Imaturidade, para mim, é não cumprir seus compromissos, deixar pessoas se lascarem por decisões próprias, sair para beber na calada da noite deixando familia para trás, traições, injustiças, violência (Doméstica, verbal, sexual and so on), excluisão, bullying (ou assédio)... E essas pessoas provavelmente não estão jogando pokemon por serem "adultos".

Enfim, não muito mais acerca disso. Antes do Pokemon Go já tivemos outras febres. A questão é que, na natureza de nossas distrações no mundo de hoje, onde estamos conectados em um mundo virtual o tempo praticamente todo (Seja através da internet, ou através de jogos), ele encontrou seu nicho de destaque. Provavelmente haverão outros. Possivelmente Pokemon Go pode se esvair futuramente para dar lugar a algo mais pertinente de acordo com sua época futura.
Se esse futuro irá nos isolar como indivíduos ou nos unir, isso eu não sei responder. Só posso imaginar...

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